Elaenia

É um gênero da subfamília Elaeniinae da família Tyrannidae da ordem dos Passeriformes.

Esse é um dos gêneros de maior dificuldade para identificação, mesmo para pessoas experientes. São aves pouco coloridas, onde domina o tom pardo oliváceo nas costas e áreas cinza claro ou amareladas na parte ventral. Asas com faixas claras ou amareladas. Na cabeça, um topete com tamanhos e posições diferentes. O canto costuma ser a melhor forma de ter certeza da identificação, embora nem sempre seja fácil distingui-lo.

Para a obtenção de identificação com estrita segurança e confiabilidade necessita-se do auxílio da vocalização (ouvir ou gravar a voz). Estas espécies crípticas somente poderão ser identificadas em campo, no local, não havendo uma mínima possibilidade da aplicação da comparação visual através de registros fotográficos. Esta assertiva é de difícil aceitação pelos observadores que fazem seus registros.

Habitat/hábitos

As espécies de Elaenia não são pássaros do interior da mata, preferem antes o aberto, com bastante luz, sendo encontradas nas árvores e arbustos dos campos, capoeiras, cerrados, banhados, beira de matas, às vezes pousados no topo da vegetação, em galhos secos.

Reprodução

O ninho é do tipo aberto, em forma de tigela ou taça rasas.

Hábitos Alimentares

Helmuth Sick esclareceu que essas aves procuram os trópicos e subtrópicos, fugindo do inverno frio de seus países de origem, não tanto pela temperatura mais elevada, mas principalmente pela maior quantidade de alimento nas regiões quentes. As espécies de Elaenia alimentam-se largamente de frutos durante boa parte do ano. Esse alimento, juntamente com os insetos, irá formar a reserva de gordura, tão importante para as aves em diferentes fases da vida, inclusive durante os movimentos de migração.

Distribuição Geográfica

Quanto à distribuição geográfica no Brasil:

  1. quase todo o Brasil: E. flavogaster. No caso particular do Estado de São Paulo, Willis e Oniki observaram sete espécies de Elaenia: E. flavogaster, E. parvirostris, E. mesoleuca, E. chilensis (antes tratada como subespécie de E. albiceps), E. cristata, E. obscura e E. chiriquensis. Inclui-se nesta lista E. spectabilis registrada, ultimamente, no centro do estado.
  2. parte do Brasil : E. spectabilis, E. chiriquensis, E. chilensis, E. parvirostris e E. cristata;
  3. leste do Brasil (a partir do sul da Bahia ou do Rio de janeiro): E. mesoleuca e E. obscura;
  4. distribuição restrita:

Elaenia chilensis - guaracava-de-crista-branca


  Registros de guaracava-de-crista-branca no WikiAves

A guaracava-de-crista-branca apresenta a cabeça e o dorso pardo-oliváceos; peito pardo claro; a maioria das penas do topete extensamente brancas.

Habita em florestas temperadas, regiões subtropicais ou tropicais úmidas de alta altitude, matagal tropical ou subtropical de alta altitude e florestas secundárias altamente degradadas.

Possui distribuição da Colômbia até a Terra do Fogo, ao longo dos Andes, passando por Uruguai, Paraguai e Brasil. Migra para o norte entre fevereiro e março e inverna no norte do Brasil(Costa Atlântica e Amazônia) e sua migração passa para o norte, pelo menos em parte, ao longo da Costa Atlântica, desde o sul até o nordeste(Alves,2007).

Elaenia chiriquensis - chibum


  Registros de chibum no WikiAves

O chibum apresenta o ventre e coberteiras inferiores da cauda branco-amarelado claros.

Ocorre nos estados do Amapá, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, São Paulo, Sergipe e Distrito Federal.

Segundo Sick, é o pássaro mais abundante nos cerrados de Mato Grosso nos meses de agosto e setembro, quando a caminho do ocidente.

Há forte variação sazonal nos números de E. chiriquensis no cerrado stricto sensu, com a chegada de muitos adultos na primavera para a reprodução (Cavalcanti e Medeiros).

Elaenia cristata - guaracava-de-topete-uniforme


  Registros de guaracava-de-topete-uniforme no WikiAves

A guaracava-de-topete-uniforme apresenta peito pardo oliváceo, sem a terceira faixa transversal nas coberteiras superiores das asas. Possui tamanho menor.

Nos meses de agosto e setembro, quando a caminho do ocidente, migra no mesmo sentido, porém em escala reduzida em comparação ao chibum(E. chiriquensis).

Porém, segundo Cavalcanti e Medeiros, tem populações residentes durante todo o ano em áreas de cerrado stricto sensu.

Ocorre em todas as regiões, com exceção dos estados do Sul do Brasil, Acre e Espírito Santo.

Elaenia dayi - guaracava-dos-tepuis


  Registros de guaracava-dos-tepuis no WikiAves




A guaracava-dos-tepuis mede 20 cm de comprimento.

Habita em regiões subtropicais ou tropicais úmidas de alta altitude e matagal tropical ou subtropical de alta altitude.

Ocorre no estado de Roraima na divisa com a Venezuela, na região da Guayana e de Bolívar.

Elaenia flavogaster - guaracava-de-barriga-amarela


  Registros de guaracava-de-barriga-amarela no WikiAves

A guaracava-de-barriga-amarela apresenta peito cinza; às vezes há uma terceira faixa transversal, bem distinta, nas coberteiras superiores das asas; possui tamanho maior.

É a guaracava mais comum e abundante por todo o Brasil. No entanto, para a obtenção de identificação com estrita segurança e confiabilidade necessita-se do auxílio da vocalização (ouvir ou gravar a voz). Estas espécies crípticas somente poderão ser identificadas em campo, no local, não havendo uma mínima possibilidade da aplicação da comparação visual através de registros fotográficos. Esta assertiva é de difícil aceitação pelos observadores que fazem seus registros.

Elaenia mesoleuca - tuque


  Registros de tuque no WikiAves

O tuque apresenta garganta quase do mesmo colorido que o peito; não mais do que duas faixas transversais nas coberteiras superiores das asas.

Presente nos estados da Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e Distrito Federal.

Elaenia obscura - tucão


  Registros de tucão no WikiAves

O tucão apresenta as coberteiras superiores das asas com duas faixas transversais claras; garganta cinza-olivácea; peito oliváceo; restante das partes inferiores com predomínio do amarelo vivo.

Mede 18 cm de comprimento. Espécie silvestre de grande porte e com distinto anel periocular claro. Seu píleo baixo não apresenta cristas.

Frequenta florestas úmidas da Mata Atlântica, desde o nível do mar até 2000m de altitude e também matas de galeria, matas mesófilas e matas de araucária.

Encontrado nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, além de Bolívia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Argentina.

Elaenia olivina - guaracava-serrana


  Registros de guaracava-serrana no WikiAves

A guaracava-serrana mede 15 cm de comprimento.

Vive em áreas abertas arborizadas, matas secundárias e beiras de matas de encosta.

Ocorre no Brasil ao norte de Roraima, na região do Parima, no Cerro Uei-tepui e no Cerro Urutani, também ocorre na Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Venezuela.

Apresenta a seguinte descrição:

E. olivina (vide Salvin e Godman, 1884: 447) “This is apparently a very distinct species of Elaenia, belonging to the group with the white concealed vertical patch. In size it is about the same as E. albiceps, but is of a much brighter olive-yellow beneath”.

Elaenia parvirostris - guaracava-de-bico-curto


  Registros de tuque-pium no WikiAves

A guaracava-de-bico-curto mede 13 cm de comprimento. Pequena guaracava esverdeada com píleo verde e crista central branca, peito e garganta cinza e ventre branco. Suas asas apresentam duas barras brancas distintas.

Vive solitária em bordas de matas, capoeiras, parques, cerrados e áreas semiabertas. Assim como a guaracava-de-barriga-amarela(Elaenia flavogaster), desenvolve um distinto canto de madrugada. É migratória.

No Brasil ocorre nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e no Distrito Federal.

Elaenia pelzelni - guaracava-do-rio


  Registros de guaracava-do-rio no WikiAves

A guaracava-do-rio apresenta a cabeça, dorso e cauda pardo-escuros; peito pardo claro; restante das partes inferiores branco com discreta sombra parda. Mede 19 cm de comprimento.

Espécie das ilhas fluviais e margens dos rios da Bacia Amazônica. Ocorre em formações ribeirinhas e matas ripárias com grandes concentrações de embaúbas. Seus hábitos são pouco conhecidos.

Ocorre ao longo do Rio Amazonas e alguns de seus grandes afluentes na parte oeste da Amazônia.

Elaenia ridleyana - cocoruta


  Registros de cocoruta no WikiAves

Ameaçada de extinção

Espécie insular endêmica. É encontrada em matas secas, capoeiras e áreas antrópicas do arquipélago de Fernando de Noronha, está ameaçada de extinção devido à ocupação humana e ao turismo desordenado no arquipélago.

Oren registra no Arquipélago Fernando de Noronha três indivíduos da cocoruta (E. ridleyana) “…cada um sozinho, na caatinga onde árvores pequenas se estendiam por cima da vegetação rasteira” e pousados “…em poleiros de altura média nas árvores, sempre com folhagem esparsa por cima e por baixo”. Alimentavam-se, continua ele “…desde a faixa baixa da vegetação até o topo das árvores.

Elaenia ruficeps - guaracava-de-topete-vermelho


  Registros de guaracava-de-topete-vermelho no WikiAves

A guaracava-de-topete-vermelho mede 13 cm de comprimento. Guaracava de plumagem marrom escura e píleo com flecha avermelhada característica.

Ocorre em carrascais, cerrados, campinaranas arbustivas e em varjões com buritirana no sudeste do Pará, matas secas e capoeiras ralas.

Presente em pontos isolados no Amazonas, Roraima, sul do Pará e Amapá, além das Guianas, Venezuela e Colômbia.

Elaenia spectabilis - guaracava-grande


  Registros de guaracava-grande no WikiAves

A guaracava-grande apresenta as coberteiras superiores das asas com três faixas transversais claras; garganta esbranquiçada, peito pardo cinzento, restante das partes inferiores amarelo-claro.

Mede 18 cm de comprimento. É semelhante à guaracava-de-barriga-amarela(Elaenia flavogaster), embora seja maior e com três barras brancas muito distintas nas asas, além de seu topete não apresentar listras brancas. Ambas as espécies podem ser sintópicas.

Ocorre em bordas de florestas diversas, campos rupestres (como na Serra do Cipó, Minas Gerais), capoeiras, cerrados diversos e matas secas.

Está presente em todo o Brasil, com exceção do extremo norte e de grande parte das regiões Sudeste e Sul.

E. spectabilis é, segundo Traylor Jr., possivelmente um pássaro que visita o Brasil como migrante.

Referências externas